Pensamentos...

"Junte-se a mim e dê ouvidos a uma alma que precisa apenas ser ouvida e talvez muitas vezes criticada"

segunda-feira, 17 de maio de 2010

alma

Brasil, 17 de maio de 2010
Querida Alma,
Talvez fosse mesmo a lua a culpada de tudo isto, ou talvez fosse apenas minha mente que fazia e refazia as mesmas perguntas, afirmações, mas nunca respostas. Bom as respostas também poderiam estar lá no profundo de meu ser, mas não queriam ser vistas, se envergonhavam da tristeza que causariam ao serem descobertas. Mas o fato é, querida alma, que toda a vez que consigo avistar a lua, minha confidente, de minha janela esse sentimento com cara de tristeza e gosto de medo me invadem, sem pedir licença ou avisar. O desespero toma conta de mim e choro sem motivos aparentes, uma vontade louca de abraçar o infinito me incomoda e sento em minha janela para observar a pálida luz refletida neste astro. Luz do dia que passou e que deixou pistas de que esta seria uma noite difícil. Pistas que foram ignoradas por mim, com o objetivo de talvez não prolongar o sofrimento, ou talvez sem objetivo nenhum pois de uma forma ou de outra deixou-me aflita no mais interior de mim, talvez tenha chegado a ti, alma, isso que sinto sem explicação.
Fomos criados para nunca alcançarmos a satisfação, pois se um dia ficarmos satisfeitos então não teremos objetivo, e sem um objetivos paramos no tempo. Não seguiríamos em frente, não procuraríamos algo mais, não viveríamos. Por isso não acho que seja a insatisfação que me aflige, talvez seja mesmo a satisfação que me apavora.
Ou talvez tudo isso seja apenas mais uma desculpa para justificar o que sinto, e que me faz sentir como se não vivesse, como se apenas observasse a vida, o mundo , as pessoas passarem nos trens que vem e vão enquanto eu permaneço eternamente sentada na plataforma da estação.
Queria não poder ver as segundas intenções, queria que o ter me alegrasse, pois então poderia comprar tudo que me fizesse feliz e que afastasse esse sentimento estranho e incompatível a mim. Mas o dinheiro não compra as luzes do pôr-do-sol, nem de seu nascer, eu não consigo guardar a luz das estrelas nem em minha mente e nem a tua, lua que me derruba, nem a tua triste luz eu consigo guardar dentro de mim.
Talvez esteja mesmo louca, como já é de costume em minha família, que uns dois sortudos de cada geração gozem desse privilégio, embora eu teime em acreditar naquele que um dia me disse que o medo de me tornar uma destas pessoas já me privasse deste privilegio.
Ou talvez seja apenas tu Alma que está cansada de mim, um punhado de sentimentos.
Sua Isa

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